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Polícia prende suspeito de feminicidio brutal que vitimou mulher trans em Nova Mutum

Não tinha passagens e tentou ocultar provas.

22/06/2026 às 21h19
Por: Redação Fonte: AlvoradaMT/Mauro Fonseca
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Reprodução
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A Polícia Civil de Mato Grosso esclareceu o feminicídio da mulher transexual Betina Barros, crime que chocou a população de Nova Mutum e permaneceu sem resposta por mais de sete meses. Na manhã desta segunda-feira (22), equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão contra o homem apontado como autor do assassinato. Natural do estado de Alagoas, o suspeito tem 35 anos de idade e seu nome não foi revelado, apenas as iniciais J.E.C.S

Em entrevista, o delegado João Paulo do Nascimento, titular da DERF, classificou o caso como um dos mais complexos investigados pela unidade nos últimos meses.

“Foi um caso que chocou muito a sociedade, tendo em vista que a vítima era uma mulher trans extremamente trabalhadora, conhecida por muitos em nossa cidade. Era uma pessoa jovem, com 33 anos à época dos fatos”, afirmou.

Betina desapareceu no dia 1º de dezembro de 2025 após sair de sua residência, no bairro Flor do Pequi, para encontrar um suposto cliente. Segundo as investigações, o contato foi feito por meio de uma plataforma de acompanhantes disponível na internet.

O corpo da vítima foi localizado no dia seguinte em uma área de mata próxima a uma faculdade, às margens de uma via vicinal. Conforme a investigação, Betina foi assassinada com disparos de arma de fogo na região da cabeça.

Investigação revelou planejamento e tentativa de ocultação de provas

De acordo com o delegado, a apuração foi extremamente difícil porque o suspeito tomou diversas medidas para tentar apagar os vestígios do crime.

A Polícia Civil apurou que, logo após o assassinato, o homem trocou de aparelho celular, restaurou as configurações do telefone antigo, descartou as roupas utilizadas no dia do crime e passou a demonstrar preocupação constante com uma possível ação policial.

“As imagens mostram que ele jogou fora as roupas utilizadas no crime. No dia seguinte, ficava olhando pela janela preocupado para verificar se a polícia iria até o local”, relatou o delegado.

Em uma das fases da investigação, quando os policiais identificaram um possível número telefônico que havia mantido contato com a vítima e foram até a residência do suspeito para intimá-lo, ele fugiu. Durante as diligências, os investigadores encontraram uma caixa de arma de fogo, além de outros elementos que reforçaram as suspeitas.

Apesar disso, o homem negou qualquer participação no homicídio quando foi ouvido pela primeira vez.

Perfil falso foi criado para atrair vítimas

As investigações apontaram ainda que o suspeito planejou o crime com antecedência. Cerca de um mês antes do assassinato, ele criou um perfil falso em uma plataforma de encontros utilizada por mulheres trans que oferecem serviços de acompanhante.

Utilizando nome falso e sem revelar sua identidade, ele passou a procurar possíveis vítimas.

A Polícia Civil descobriu que, antes de entrar em contato com Betina, o suspeito tentou marcar encontros com outras duas mulheres trans. Ambas recusaram o convite por considerarem estranho o local escolhido para o encontro.

Segundo o delegado, o homem insistia para que as vítimas comparecessem sem telefone celular, alegando sentir vergonha de ser visto.

“Ele tentou contato com outras mulheres trans antes da Betina. Todas foram ouvidas durante a investigação e relataram que recusaram justamente porque o local indicado era estranho e isolado”, explicou.

Betina, no entanto, aceitou o encontro e seguiu até o local indicado pelo suspeito. Seu aparelho celular nunca foi encontrado, levando os investigadores a acreditarem que ele tenha sido destruído ou ocultado pelo criminoso.

Provas robustas sustentaram pedido de prisão

Embora o suspeito tenha tentado eliminar evidências, a Polícia Civil conseguiu reunir um conjunto robusto de provas técnicas e testemunhais.

Sem revelar detalhes dos métodos utilizados, João Paulo destacou que a investigação de homicídios envolve técnicas científicas capazes de reconstruir a dinâmica dos fatos e identificar a autoria mesmo diante de tentativas de ocultação.

“A investigação de homicídios é uma ciência. Não é algo baseado em achismos. Utilizando essas técnicas, conseguimos reconstruir toda a movimentação do criminoso e comprovar sua participação”, afirmou.

O material reunido foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que autorizaram a expedição dos mandados cumpridos nesta segunda-feira. O suspeito foi localizado e preso enquanto trabalhava.

Suspeito não possuía antecedentes criminais

Segundo a Polícia Civil, o homem não é natural de Mato Grosso e não possuía registros criminais conhecidos. Ele atuava como segurança e já havia trabalhado em diversos eventos.

Os investigadores também realizaram levantamentos em outros estados, incluindo Alagoas, mas não localizaram antecedentes policiais.

A descoberta surpreendeu até mesmo pessoas próximas ao investigado, já que ele mantinha relacionamentos e levava uma vida considerada comum.

Resposta para a família

O delegado destacou que, embora a prisão não traga Betina de volta, a conclusão do caso representa uma resposta importante para familiares e amigos da vítima.

“Infelizmente não trazemos a vítima de volta, mas temos certeza de que isso é um acalento para a família. Desde o início dissemos que iríamos buscar respostas e hoje conseguimos colocar esse criminoso na cadeia”, declarou.

Polícia faz alerta sobre encontros marcados pela internet

Ao comentar o caso, João Paulo também fez um alerta sobre os riscos envolvendo encontros marcados por aplicativos, plataformas digitais e redes sociais.

Segundo ele, além de golpes patrimoniais, casos de violência grave têm sido registrados em diversas regiões do país envolvendo pessoas que conhecem desconhecidos pela internet.

“Pedimos que jovens, adolescentes e também adultos tenham muito cuidado com encontros em locais isolados e com pessoas desconhecidas. Qualquer situação suspeita deve ser comunicada aos familiares e às autoridades”, alertou.

A Polícia Civil informou que novas informações sobre o caso poderão ser divulgadas nos próximos dias, conforme o avanço dos procedimentos investigativos.

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