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Morre Tiago Pitthan, que organizou festa para o próprio velório após diagnóstico terminal: 'Tudo valeu a pena'

Aos 47 anos, ele transformou a própria despedida em um encontro com música, amigos e histórias.

06/07/2026 às 18h47
Por: Redação Fonte: G1
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Reprodução
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Tiago Martins Pitthan, o homem que decidiu organizar o próprio velório porque não queria “faltar” à despedida, morreu aos 47 anos, em Campo Grande.

Diagnosticado com um câncer de estômago em estágio avançado, ele transformou o que costuma ser um momento de ausência em presença: reuniu amigos, familiares e até desconhecidos em uma festa para celebrar a própria história enquanto ainda podia ouvi-la.

No domingo (5), do hospital, Tiago publicou um último vídeo nas redes sociais. Deixou uma mensagem de despedida.

“Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa e é isso. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito.”

A frase resume a forma como Tiago escolheu atravessar o período após descobrir que o câncer não tinha mais possibilidade de cura. Desde o diagnóstico, dizia que não queria controlar a morte, mas o que ainda poderia fazer com o tempo que tinha.

E fez. No dia 30 de maio, esteve no próprio velório.

O antigo galpão de uma cervejaria em Campo Grande recebeu bandas, amigos, rodas de conversa e uma programação pensada por ele em detalhes. Teve bossa nova, samba, rock, flash mob e um aquarelista pintando a festa em tempo real —um quadro que Tiago fazia questão de guardar.

Também houve guitarra. Mesmo sem nunca ter tocado um instrumento antes, Tiago começou a aprender depois que a doença avançou. Queria realizar um desejo antigo: subir ao palco pelo menos uma vez. Conseguiu.

'Lá em cima não tem câncer'

A relação de Tiago com o diagnóstico nunca foi de negação. Ele sabia que a doença não tinha cura, mas dizia que queria decidir o que ainda cabia dentro do tempo que tinha.

O câncer foi descoberto em março de 2024, após meses de sintomas. No Réveillon anterior, durante uma viagem a Bonito (MS), percebeu que não conseguia mais comer normalmente: sentia o estômago cheio logo na primeira garfada e vomitava.

A endoscopia revelou um adenocarcinoma gástrico, o tipo mais comum de câncer de estômago. A princípio, ele passaria por uma cirurgia para retirada do órgão, mas, durante o procedimento, os médicos encontraram metástases no intestino, no peritônio e sinais de comprometimento pulmonar.

A cirurgia curativa deixou de ser uma opção.

“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo”, contou.

Mesmo em tratamento, Tiago continuou trabalhando, treinando e mantendo a rotina pelo maior tempo possível. Com a progressão da doença, perdeu peso, ficou mais fraco e passou a conviver com limitações causadas pelo câncer e pelos efeitos da quimioterapia.

Ainda assim, seguiu fazendo planos. Pouco antes da festa, voltou a Bonito. Desceu 70 metros de rapel até o Abismo Anhumas e, no dia seguinte, saltou de paraquedas.

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