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Rhavenna Barcelos Almeida foi identificada pela Polícia Civil como a mulher presa preventivamente durante a Operação Fariseus, deflagrada nesta quinta-feira (16), em Mato Grosso. Ela é investigada por supostamente integrar uma família de “missionários” que utilizava um projeto religioso para se aproximar de lideranças de uma organização criminosa dentro e fora de presídios.
Conhecida nas redes sociais como “design de sobrancelhas”, Rhavenna é apontada como uma das pessoas próximas de Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”. Segundo a investigação, ele é uma liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso, possui pena unificada superior a 49 anos e está foragido desde 2024, após romper a tornozeleira eletrônica durante progressão de regime.
Ainda conforme a Polícia Civil, Rhavenna seria uma das namoradas do investigado. Além dela, outras duas mulheres, identificadas como Bárbara Barcelos e Bárbara de Almeida, também seriam relacionadas a “Batman”.
Vídeos e fotografias obtidos durante a investigação mostram Rhavenna em comunidades do Rio de Janeiro, onde aparece segurando armas de fogo e ao lado de pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa. Em uma das imagens, ela está com Jonas Souza Garcia Júnior.
A defesa de Rhavenna informou que não teve acesso aos documentos da investigação e que não irá se manifestar no momento.

Os pais da jovem, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também foram identificados pelos investigadores. Contra eles, foram cumpridos apenas mandados de busca e apreensão. O casal, que atua como pastor evangélico, aparece em registros ao lado da filha e de pessoas apontadas como lideranças criminosas.
A polícia sustenta que Rhavenna, os pais e outros suspeitos mantinham uma relação de proximidade com membros da facção. O grupo teria acesso aos criminosos por meio de um projeto religioso chamado Resgatando Vidas.
Projeto religioso teria sido usado para acessar presídios
Segundo as investigações, a jovem atuava com a ajuda dos pais. Juntos, eles teriam utilizado o projeto religioso para entrar em unidades prisionais, entre elas a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
A suposta atividade missionária permitia a aproximação com detentos e teria sido usada para favorecer lideranças da organização criminosa que estavam presas ou foragidas da Justiça, de acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Para os investigadores, as visitas serviam para manter o contato dos suspeitos com os internos, intermediar recados, receber e distribuir valores e facilitar a comunicação dos criminosos com uma facção atuante no Rio de Janeiro.
Os membros da família investigados também teriam recebido dinheiro enviado por presos e líderes da organização. Conforme a Polícia Civil, contas bancárias de familiares e terceiros eram utilizadas para fracionar depósitos e repasses, numa tentativa de dificultar a identificação da origem dos recursos.
Parte dos valores teria sido empregada no pagamento de viagens, procedimentos estéticos e compra de veículos. A polícia apura os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores.
Uma comunidade do Rio de Janeiro estava entre os destinos mais frequentes dos investigados. No local, teriam sido produzidas fotografias e gravações em meio a fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores. Alguns dos objetos possuíam referências personalizadas à organização criminosa.
Em parte dos registros, pessoas ligadas ao projeto religioso aparecem ao lado de lideranças da facção, foragidos da Justiça e integrantes responsáveis pela segurança armada do grupo.
A investigação encontrou ainda imagens de crianças segurando armamentos personalizados e fotografias dos próprios suspeitos manipulando diferentes armas de fogo.

Operação Fariseus
Além do mandado de prisão preventiva contra Rhavenna, a Operação Fariseus cumpriu ordens de busca e apreensão e de quebra de sigilo. Aparelhos eletrônicos foram recolhidos para análise.
A Justiça também determinou a suspensão temporária da entrada de investigados em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
A operação foi conduzida pela GCCO e pela Draco. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear os valores movimentados e esclarecer a participação de cada suspeito no esquema. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas.

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