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O delegado da Polícia Civil, Paulo Brambilla, afirmou que integrantes do Comando Vermelho (CV) têm criado uma espécie de “investigação própria” para identificar supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e, com base em interpretações sem qualquer comprovação, determinam a execução de pessoas inocentes. A declaração foi feita ao comentar as investigações dos assassinatos do tatuador Leandro Perboni, de 44 anos, e de Elismar Saltiva Sales, de 37, mortos em Sorriso, a 398 km de Cuiabá.
Segundo o delegado, as investigações concluíram que nenhuma das vítimas possuía vínculo com o PCC. Ainda assim, ambas foram mortas após serem rotuladas como integrantes da facção rival pelo CV.
“Eles acham que têm uma equipe de investigação, uma inteligência de investigação. Não sei. Eles classificam um como do PCC”, afirmou Brambilla.
Na avaliação do delegado, a facção estabelece critérios próprios para decidir quem será considerado inimigo, sem qualquer fundamento. Ele citou, inclusive, situações cotidianas que, segundo a investigação, podem ser interpretadas de forma equivocada pelos criminosos.
“Hoje você vai tirar uma foto com a família, faz um três com a mão, eles já vão lá e falam: ‘Não, vamos matar esse cara porque ele é do PCC’. Na cabeça doente deles, todo mundo que não faz o dois é PCC”, declarou.
Caso do tatuador
Ao detalhar o caso de Leandro Perboni, Brambilla afirmou que o tatuador não possuía envolvimento com o tráfico de drogas nem fazia parte de qualquer organização criminosa. Conforme o delegado, ele era usuário de drogas e acabou sendo confundido pelos criminosos após repassar entorpecentes para outra usuária.
“O tatuador mesmo não tinha nada a ver com o tráfico de drogas. Era usuário de drogas. Pegou uma droga em Lucas do Rio Verde para usar e, por um infeliz acidente do acaso, repassou uma droga para uma outra usuária usar. Aí esses doentes do Comando Vermelho classificaram ele como membro do PCC. Foram lá e mataram”, disse.
Leandro foi executado na tarde do dia 27 de junho, no bairro Boa Esperança I. Conforme as investigações, três homens invadiram a residência onde funcionava o estúdio de tatuagem da vítima, fizeram uma chamada de vídeo por celular, arrastaram o tatuador para a área externa e efetuaram diversos disparos. Um segundo homem, de 34 anos, também foi baleado, mas sobreviveu.
Mulher também não tinha ligação com o PCC
O delegado afirmou que a mesma conclusão foi alcançada no inquérito que apura a morte de Elismar Saltiva Sales, assassinada a tiros no último dia 14, também em Sorriso.
“Essa mulher que morreu também não tem indício algum que ela é do PCC”, ressaltou.
Segundo Brambilla, a casa onde Elismar morava chegou a ser pichada com referências ao Comando Vermelho, demonstrando que ela também passou a ser considerada alvo da facção.
Elismar foi morta em frente à residência onde vivia, após dois homens chegarem em uma motocicleta e efetuarem diversos disparos. Horas depois, um dos suspeitos, Ivanilson Andrade dos Santos, de 31 anos, morreu durante uma ação da Polícia Militar. Conforme a corporação, ele reagiu à abordagem armado e foi baleado. As investigações prosseguem para identificar e prender o segundo envolvido.
Para o delegado, os dois homicídios evidenciam a forma como o Comando Vermelho tem atuado ao decidir quem considera integrante de facções rivais, sem qualquer prova ou investigação formal, resultando na morte de pessoas que, segundo a Polícia Civil, não possuíam ligação com o PCC.
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