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Imagens impressionantes feitas pelo filmmaker de vida selvagem Tiger Angeli revelaram um detalhe surpreendente sobre os dois pirarucus gigantes avistados nadando pelo Rio Teles Pires, em Itaúba (MT). Os peixes eram um casal e realizavam uma ‘escolta’ de centenas de filhotes.
Nas imagens, feitas na última sexta-feira (24), é possível ver os peixes nadando tranquilamente pela água doce. O macho, de coloração mais avermelhada, permanece mais próximo aos filhotes, como se os conduzisse pelo rio. Enquanto isso, a fêmea segue logo atrás da família.
Angeli afirmou que já vinha acompanhando os peixes há um tempo na região e que, assim como ocorre com as araras, por exemplo, os pirarucus também são considerados fiéis aos seus parceiros.
Ainda segundo o filmmaker, macho e fêmea vistos no vídeo pesam em torno de 140 kg cada um e passeavam com cerca de 100 filhotes.
Cuidado dos pais garante sobrevivência
Já o biólogo Hugmar Pains, que atua na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), pontuou que a característica parental dos pirarucus do vídeo pode ser decisiva para que a espécie, considerada invasora, chegue à fase adulta.
Na semana passada, um vídeo feito na mesma região e publicado pela Pousada Tucuna Sport Fishing mostrou o passeio os peixes pelo rio. Na legenda, o perfil destacou o tamanho dos peixes e lembrou que o pirarucu está entre as maiores espécies de água doce do planeta.
Pelo ângulo das imagens e pelo porte dos animais, muitos internautas compararam a cena à passagem de baleias pelo mar.
Espécie exótica invasora
O pirarucu (Arapaima gigas) pode ultrapassar três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Além do tamanho, chama a atenção por precisar subir periodicamente à superfície para respirar, já que possui um sistema respiratório adaptado que permite captar oxigênio do ar.
Embora seja nativo da bacia Amazônica, o pirarucu também pode ser encontrado em rios de Mato Grosso inseridos nesse bioma, como o Teles Pires.
A espécie tem grande importância ecológica e econômica, mas sua captura é controlada por normas ambientais devido ao histórico de sobrepesca em algumas regiões.
Desde março deste ano, o peixe pode ser pescado durante todo o ano nas regiões onde é considerado uma espécie exótica invasora. A Instrução Normativa nº 7/2026 do Ibama liberou a captura, o transporte e abate do peixe sem limite de cota ou de tamanho em bacias onde ele não é nativo, como a do Paraguai.
A medida busca conter a expansão do predador e reduzir os impactos sobre espécies nativas. Os exemplares capturados não podem ser devolvidos ao ambiente e devem ser abatidos.
O biólogo Helder Freitas explica que o pirarucu não chega sozinho a novas bacias hidrográficas e que a ocorrência da espécie fora de sua área natural está relacionada, principalmente, à soltura irregular de exemplares ou ao escape de criadouros.
O professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco Machado, também alerta que o pirarucu é um peixe piscívoro, ou seja, alimenta-se de outros peixes. Em ambientes onde encontra alimento em abundância, poucos predadores e baixa concorrência, a espécie pode se estabelecer com facilidade e pressionar populações de peixes nativos.
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