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O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), divulgou, ontem, quinta-feira (06.08), um vídeo em que rebate as investigações da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF), e afirma ser vítima de perseguição política. No pronunciamento, ele comparou a atual investigação a uma operação realizada em 2014, quando era prefeito de Cuiabá, e disse confiar que, novamente, será inocentado.
Segundo Mauro, a operação realizada há 12 anos provocou graves prejuízos pessoais e financeiros. Ele relatou que sofreu busca e apreensão em sua residência, teve cartões de crédito e linhas de financiamento bloqueados, perdeu contratos comerciais e viu uma de suas empresas entrar em recuperação judicial.
"Em 2017, três anos depois, a própria Polícia Federal apresentou parecer favorável, o Ministério Público concordou e a Justiça arquivou o caso, concluindo que eu não havia feito absolutamente nada de errado", afirmou.
Ao comentar a Operação Heritage, Mauro disse que, em sua residência, os agentes apenas cumpriram determinação para recolher seu passaporte e que a investigação está relacionada ao acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi S.A.
De acordo com ele, a disputa judicial teve origem em 2009, quando o Estado bloqueou recursos da empresa para cobrança de tributos. Após anos de tramitação, a Justiça reconheceu o direito da operadora à devolução dos valores. Segundo Mauro, o montante atualizado chegaria a aproximadamente R$ 580 milhões, mas a Procuradoria-Geral do Estado negociou um acordo de R$ 308 milhões para encerrar o litígio.
O candidato sustentou que o Termo de Autocomposição foi analisado e considerado legal por diversos órgãos de controle. "O acordo passou por diversos procuradores, foi homologado pela Justiça e considerado legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual", declarou.
Mauro também negou qualquer relação entre ele ou seus familiares e os fundos de investimento que receberam parte dos recursos decorrentes do acordo. "Os fundos que receberam esse recurso não têm nenhuma relação comigo ou com qualquer membro da minha família", afirmou.
Durante o pronunciamento, o ex-governador atribuiu a origem da investigação a denúncias apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques e pela deputada estadual J anaína Riva (MDB), que, segundo ele, teriam apresentado informações falsas para provocar a abertura do inquérito."O relatório da Polícia Federal é um verdadeiro copia e cola da denúncia apresentada por Pedro Taques", disse.
Mauro também afirmou que a investigação possui motivação eleitoral e destacou que a operação ocorreu a cerca de 60 dias das eleições. "Está claro que meus adversários políticos estão utilizando isso como instrumento para tentar me prejudicar politicamente", declarou.
O candidato citou nominalmente Pedro Taques, Janaína Riva, o senador Carlos Fávaro e o senador Jayme Campos como integrantes de um grupo que, segundo ele, teria antecipado nos bastidores a realização da operação da Polícia Federal.
Ainda segundo Mauro Mendes, o grupo adversário teria intensificado a atuação política após recentes derrotas nas articulações eleitorais, como a rejeição da candidatura de Jayme Campos ao Governo do Estado pelo União Brasil, a homologação de Pedro Taques como candidato ao Senado e a exclusão de Janaína Riva da composição da chapa governista.
O ex-governador também questionou o fato de o processo tramitar sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), mas, segundo ele, ter sido amplamente divulgado antes mesmo de sua defesa obter acesso aos autos.
"A operação é sigilosa, mas nossos adversários já falavam dela muito antes de acontecer. No dia da operação nós solicitamos oficialmente acesso ao processo e ainda não havíamos recebido, enquanto o conteúdo já circulava para a imprensa", afirmou.
Ao encerrar o pronunciamento, Mauro Mendes reafirmou que colaborará com as investigações e disse confiar que a apuração demonstrará a legalidade dos atos praticados durante sua gestão. "Pode investigar à vontade. Não tenho nada a temer. Só peço que não demore três anos para que a verdade seja restabelecida", concluiu.
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