#siteportalmtempauta

A Justiça de Mato Grosso negou um novo pedido de desinternação de Lumar Costa da Silva, homem que matou a própria tia e arrancou o coração dela, em Sorriso, em 2019. Ele continuará internado no Centro Integrado de Assistência Psicossocial (CIAPS) Adauto Botelho, em Cuiabá, enquanto passa por uma nova avaliação sobre a possibilidade de retornar ao tratamento fora da unidade.
Na decisão, a juíza Caroline Schneider Guanaes Simões, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que a Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) faça, com prioridade e urgência, um exame de cessação de periculosidade. O resultado será usado pela Justiça para decidir futuramente se Lumar tem condições de voltar ao convívio social.
O pedido de desinternação ocorreu após um relatório multiprofissional do Adauto Botelho, elaborado em maio deste ano, apontar que Lumar estava cooperativo, sem sintomas psicóticos agudos e com relativa estabilidade clínica. A equipe sugeriu a possibilidade de tratamento ambulatorial em Campinas (SP), sob supervisão do pai dele. O Ministério Público, porém, se manifestou contra a liberação, enquanto a Defensoria Pública pediu a desinternação.
Para a magistrada, a estabilidade apresentada dentro da unidade hospitalar, onde há acompanhamento e controle da medicação, não é suficiente para concluir que houve cessação da periculosidade. A decisão também considera o que ocorreu após a primeira tentativa de tratamento fora da unidade.
Lumar deixou o Adauto Botelho em junho de 2025, após quase seis anos internado. Na época, a Justiça autorizou que ele cumprisse a medida de segurança em regime ambulatorial intensivo, com acompanhamento de um CAPS em Campinas, São Paulo, sob responsabilidade do pai.
A decisão afirmava que a desinternação havia sido concedida em 18 de junho de 2025 após laudo de cessação de periculosidade e parecer psicossocial favorável. Porém, menos de cinco meses depois, chegaram à Justiça informações de que Lumar teria voltado a apresentar comportamento ameaçador e se envolvido em um suposto episódio de violência doméstica em São Paulo. O caso resultou em medidas protetivas concedidas pela Justiça paulista e na abertura de inquérito policial.
Diante disso, a desinternação foi revogada em novembro de 2025. Lumar foi localizado em Campinas no dia 14 daquele mês e posteriormente levado novamente para Mato Grosso.
Na época, a Justiça determinou o retorno dele à internação após o descumprimento das condições estabelecidas para o tratamento fora do hospital. A decisão citava, entre outros pontos, o envolvimento em uma nova ocorrência de violência doméstica e problemas relacionados à continuidade do tratamento e ao uso regular da medicação.
Em dezembro de 2025, Lumar voltou efetivamente ao Adauto Botelho, de forma excepcional pela unidade, mesmo diante da indisponibilidade de leitos naquele momento.
O caso começou em 2 de julho de 2019, em Sorriso. Lumar havia chegado a Mato Grosso poucos dias antes para morar com a tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, no bairro Vila Bela.
Naquele dia, ele retornou à casa da vítima e a matou com golpes de faca. Depois, retirou o coração da tia, colocou o órgão em uma sacola e o entregou à filha dela. Lumar foi encontrado pela Polícia Militar enquanto caminhava pela Rua das Videiras.
Após a prisão, ele declarou em depoimento que teria ouvido vozes que o incentivaram a cometer o crime. Oito dias depois, durante uma transferência para a Penitenciária Ferrugem, em Sinop, um agente flagrou Lumar tentando enforcar outro preso dentro do veículo usado no transporte.
Em 2021, após a realização de três avaliações sobre a saúde mental, a Justiça concluiu que Lumar era inimputável, ou seja, não tinha capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos no momento do crime. Por isso, ele não foi submetido a júri popular.
No ano seguinte, Lumar foi absolvido sumariamente e submetido a uma medida de segurança com internação psiquiátrica por tempo indeterminado, que deveria permanecer enquanto uma perícia não constatasse a cessação da periculosidade.
Agora, quatro anos depois daquela decisão e após a tentativa frustrada de tratamento em liberdade em 2025, a Justiça determinou justamente uma nova perícia oficial para avaliar esse ponto.
Além do exame pela Politec, o Adauto Botelho terá de encaminhar o prontuário e o histórico terapêutico atualizado de Lumar, incluindo evolução comportamental, quadro psiquiátrico, diagnóstico e medicações utilizadas. Depois que o laudo for juntado ao processo, Ministério Público e Defensoria Pública terão cinco dias para se manifestar antes de uma nova decisão judicial.
Mín. 18° Máx. 34°


