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Julgamento dos acusados de matar Raquel Cattani está acontecendo hoje em Nova Mutum/MT

As primeiras imagens foram divulgadas.

22/01/2026 às 14h50
Por: Redação Fonte: AlvoradaMT/Mauro Fonseca
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Assessoria
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O Tribunal do Júri que julga Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, ocorre nesta quinta-feira (22), a partir das 8h, no plenário do Fórum da Comarca de Nova Mutum. A sessão é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara da Comarca.

O julgamento segue o rito previsto no Código de Processo Penal, com a atuação do Ministério Público, das defesas, oitiva de testemunhas e, ao final, a decisão do Conselho de Sentença, formado por sete jurados, dois homens e cinco mulheres, sorteados no início da sessão.

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Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Raquel Cattani foi assassinada a facadas em sua residência, na zona rural de Nova Mutum, no dia 18 de julho de 2024. Rodrigo Xavier Mengarde responde como executor do crime, enquanto Romero Xavier Mengarde, ex-marido da vítima, é acusado de ter sido o autor intelectual.

A cobertura jornalística do julgamento é realizada exclusivamente pela Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que disponibiliza textos, fotos e vídeos no portal oficial e nos canais institucionais do Tribunal.

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Início da sessão e formação do Conselho de Sentença

Às 8h21, teve início a sessão do Tribunal do Júri, com a leitura do termo de apregoamento. Os réus são julgados sob acusação formal apresentada pelo Ministério Público, representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.

A defesa é exercida pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo Xavier Mengarde e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero Xavier Mengarde.


 

Às 8h26, foi realizado o sorteio dos jurados que compõem o Conselho de Sentença. Em seguida, às 8h37, a juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski orientou os jurados sobre o funcionamento do Tribunal do Júri, reforçando regras como a incomunicabilidade, a necessidade de atenção integral aos debates e o sigilo da votação, que é individual e secreta. A magistrada destacou ainda a sensibilidade do julgamento, que envolve vida e liberdade, e pediu serenidade e imparcialidade aos jurados.

Depoimento do delegado responsável pela investigação

Às 8h49, teve início a oitiva da primeira testemunha: o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, responsável pela condução das investigações. Ele relatou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento da suspeita de feminicídio, as equipes foram mobilizadas imediatamente. O delegado informou que se deslocou de Tapurah (MT), enquanto outras equipes seguiram para o local do crime, no Assentamento Pontal do Marape.

Segundo o depoimento, Romero Xavier Mengarde se apresentou espontaneamente às autoridades após ser informado dos fatos. O delegado afirmou que determinou o interrogatório inicial para esclarecer a rotina e os deslocamentos do investigado no período do crime. Durante as apurações, foi levantado que Romero teria passado por casas noturnas e permanecido na companhia de funcionários desses locais. Imagens de câmeras também registraram o veículo do réu saindo de Tapurah em direção à região onde ocorreu o homicídio.

Às 8h53, o delegado detalhou elementos observados na cena do crime, como sinais de arrombamento em uma janela nos fundos da residência, uma televisão encontrada do lado de fora com marca de bota e o local onde a vítima foi encontrada, entre o banheiro e o quarto do casal. Raquel apresentava diversas lesões de defesa nos braços e antebraços, provocadas por golpes de faca. Outro ponto destacado foi o fato de apenas o quarto da vítima ter sido revirado, o que levantou a hipótese de tentativa de forjar a cena do crime.

Avanço das investigações e confissão

Às 9h, o delegado afirmou que, após a apresentação de um álibi considerado consistente por parte de Romero, a Polícia Civil concluiu que ele não teria sido o autor direto do crime. A investigação passou então a focar em provas técnicas e digitais, como vestígios no local, uso de internet, acessos a redes wi-fi e outros elementos periciais. Ao todo, cerca de 155 pessoas foram ouvidas durante o trabalho investigativo.

Às 9h12, o delegado afirmou que, segundo as investigações, Rodrigo Xavier Mengarde ficou escondido dentro da residência, aguardando a chegada da vítima. Em interrogatório, o próprio réu confessou que esperou Raquel no interior da casa após arrombar uma janela. Quando a vítima percebeu um cheiro estranho e foi verificar a origem, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca. Após o crime, ele teria forjado a cena e fugido de motocicleta.

Às 9h20, o delegado destacou a prova técnica relacionada às ERBs (Estações Rádio-Base), que permitiu rastrear a movimentação do celular de Rodrigo desde a chegada ao local do crime até a fuga. As informações, somadas à confissão e a registros de câmeras, possibilitaram a reconstrução da dinâmica do homicídio e do trajeto percorrido após o crime.


 

Comportamento dos réus e histórico de perseguição

Durante questionamentos do Ministério Público, às 9h24, o delegado relatou sua percepção sobre o comportamento de Romero Xavier Mengarde, descrevendo-o como astuto, calculista e frio, com respostas pensadas e ausência de reação emocional diante da morte da ex-esposa.

Já às 9h42, o delegado afirmou que a investigação identificou comportamentos de perseguição e controle atribuídos a Romero em relação à vítima, anteriores ao crime. Testemunhas relataram episódios de aparições inesperadas e atitudes consideradas obsessivas, que teriam causado medo e sofrimento psicológico à vítima. Segundo o delegado, embora não houvesse registros de agressões físicas, o histórico apontaria para pressão psicológica prolongada, classificada por ele como tortura psicológica.

O julgamento segue ao longo do dia, com novas oitivas e, ao final, a decisão do Conselho de Sentença.

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