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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou, por unanimidade, nesta quarta-feira (18), a convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, para prestar depoimento como testemunha. A oitiva faz parte das investigações sobre supostas fraudes em contratos de crédito consignado que podem ter prejudicado cerca de 14 mil servidores públicos no estado.
O requerimento foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI, que destacou a importância das informações que Taques afirma possuir sobre a atuação do Banco Master em Mato Grosso. Segundo o parlamentar, os dados e documentos podem ajudar a esclarecer possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras com servidores públicos.
Durante a sessão, Alessandro Vieira também chamou atenção para o contexto político que envolve a convocação. Ele citou o embate entre Taques e o atual governador do estado, Mauro Mendes, ambos apontados como possíveis candidatos ao Senado. De acordo com o relator, os dois já apresentaram versões divergentes e documentos conflitantes à comissão, o que amplia a relevância do depoimento.
Apesar disso, Vieira reforçou que a convocação é justificada pelo potencial contributivo das informações. “É importante que todos tenham clareza de que, além da investigação, também há uma disputa política local envolvida”, ponderou.
A investigação da CPI está ligada a suspeitas envolvendo o grupo controlador do Banco Master, que já foi alvo de medidas judiciais no âmbito da Operação Compliance Zero. A comissão apura possíveis fraudes em operações de crédito consignado, que teriam causado prejuízos milionários a milhares de servidores em Mato Grosso.
Atualmente, Pedro Taques atua como advogado de entidades sindicais e já apresentou denúncias a órgãos como o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Contas do Estado e o Banco Central. As suspeitas incluem contratos com a empresa Capital Consig, que teriam gerado prejuízos financeiros aos servidores, com possível intermediação do Banco Master.
A expectativa da CPI é que o depoimento contribua para esclarecer se houve influência política indevida, falhas na fiscalização ou até mesmo o uso do sistema de crédito consignado para ocultação de recursos ilícitos. Além disso, os trabalhos da comissão podem resultar em propostas para fortalecer os mecanismos de controle no setor financeiro.
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