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Com a “caneta na mão”, Otaviano Pivetta (Republicanos) assume o comando do governo de Mato Grosso sinalizando uma transição sem ruptura, mas com marca própria. A declaração, feita às vésperas do início efetivo de sua gestão, funciona como um recado direto, a partir de agora, as decisões passam por ele, ainda que o modelo herdado seja mantido.
Ao afirmar que “o que vai mudar é que eu vou ser o governador”, Pivetta delimita a mudança de posição, deixa a condição de coadjuvante para assumir protagonismo, ao mesmo tempo em que evita romper com a base administrativa construída na gestão de Mauro Mendes (União Brasil). A estratégia combina continuidade e reposicionamento, com promessa de imprimir ritmo próprio às ações do Executivo.
Esse início de gestão ocorre em meio a um ambiente político tensionado. Pivetta assume o cargo sob o desgaste acumulado no fim do ciclo anterior e diante da articulação, na Assembleia Legislativa, com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.
Questionado, Pivetta adotou tom cauteloso, reconheceu a prerrogativa do Legislativo e indicou que não haverá interferência do Executivo. “É um instrumento que a Assembleia tem para elucidar qualquer dúvida”, afirmou, ao defender uma relação baseada em “diálogo permanente”, “harmonia” e “respeito”.
Sem afastar o cenário adverso, o governador tratou o desgaste político como parte do funcionamento natural das gestões, especialmente em ano com forte componente eleitoral. “Qualquer governo está sujeito a isso. E esse ano é político”, disse, sinalizando que inicia o mandato já sob pressão e fiscalização ampliada.
No campo administrativo, Pivetta indicou que a formação da equipe ainda está em andamento e estabeleceu prazo até 4 de abril para anunciar os secretários e o líder do governo na Assembleia, cargo estratégico para a articulação política em um contexto de possível investigação parlamentar e disputas internas.
Apesar do ambiente de tensão, o discurso oficial reforça a continuidade. O governador afirmou que pretende manter as principais diretrizes da gestão anterior, com foco na execução de obras de infraestrutura, construção de escolas e hospitais e ampliação da entrega de serviços públicos. Também reiterou compromisso com a política fiscal vigente. “O Estado está muito bem gerido”, disse, ao destacar a manutenção de austeridade, controle de gastos e eficiência administrativa.
Na segurança pública, o tom muda. Pivetta adota discurso de endurecimento e promete reforço da presença estatal. Anunciou que pretende se reunir com as forças de segurança para definir novas estratégias e defendeu a ampliação do policiamento ostensivo. “Nossa determinação é endurecer contra todo tipo de crime”, afirmou, ao indicar a intenção de colocar mais policiais nas ruas.
Já no campo político-eleitoral, evitou antecipar movimentos. Disse que não trabalha com planejamento prévio para enfrentar adversários e resumiu sua linha de atuação: “A melhor estratégia é não ter estratégia”. Ao mesmo tempo, afirmou que responderá “na altura” a eventuais ataques, ressaltando que pretende agir “como governador de Estado e não como galo de briga”.
As declarações indicam que o início do governo ocorre sob uma combinação de continuidade administrativa e centralização das decisões no Executivo. Ao afirmar que estará “com a caneta na mão”, Pivetta assume o comando em um contexto de pressão política, necessidade de articulação institucional e antecipação do debate eleitoral, fatores que tendem a influenciar os primeiros movimentos da gestão.
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