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A Justiça de Mato Grosso negou o pedido da defesa para que o processo que investiga a morte de Júlia Vitória do Prado da Silva, de 20 anos, tramite em segredo de justiça. A decisão foi tomada pelo juiz Jean Paulo Leão Rufino, durante audiência de custódia realizada no domingo (12), no Plantão da Comarca de Tapurah.
O pedido havia sido feito pela defesa de Alair Ferreira de Lima, de 75 anos, apontado como autor do crime. No entanto, o magistrado entendeu que o caso não se enquadra nas hipóteses legais previstas no artigo 189 do Código de Processo Civil.
“Indefere-se o pedido de segredo de justiça, uma vez que o objeto destes autos não se enquadra nas hipóteses legais”, destacou o juiz na decisão.
Além de negar o sigilo, o magistrado converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva de Alair e também de Hédio Antonio Machado, de 66 anos, suspeito de auxiliar na tentativa de ocultação do corpo.
Segundo os autos, o Ministério Público também se posicionou contra o segredo de justiça e solicitou a manutenção da prisão dos investigados, o que foi acatado pela Justiça.
O caso é investigado como feminicídio, crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão do gênero ou em contexto de violência doméstica.
A decisão judicial destacou a gravidade do crime, a violência empregada e a forte comoção social como fatores determinantes para manter os suspeitos presos, visando a preservação da ordem pública.
De acordo com a Polícia Civil, Júlia estava desaparecida desde a madrugada de quinta-feira (9). Na tarde de sexta-feira (10), por volta das 14h, ela foi assassinada dentro da casa do suspeito, em Tapurah.
As investigações apontam que a jovem mantinha um relacionamento com o idoso há cerca de um ano, com encontros ocasionais. A natureza dessa relação ainda é apurada se era amorosa ou sexual.
Informações preliminares indicam que Júlia teria ido até a residência com a intenção de encerrar os encontros. Em determinado momento, ela teria tentado se proteger, chegando a se trancar em um dos cômodos, mas o suspeito teria arrombado a porta.
A vítima foi morta com golpes de faca e um objeto contundente (um pé de cabra) que atingiram principalmente a região da cabeça e do pescoço. Após o crime, o suspeito tentou ocultar o corpo, planejando levá-lo até o Rio Arinos. Para isso, pediu ajuda a Hédio, mas os dois não conseguiram concluir a ação.
Quando a polícia chegou ao local, encontrou o corpo dentro da residência, envolto em materiais ensanguentados, próximo ao veículo, cujo porta-malas estava aberto. Também foram encontrados vestígios de sangue no imóvel.
Os dois homens foram presos em flagrante e seguem detidos após a conversão da prisão em preventiva. O caso continua sob investigação da Polícia Civil e deve avançar com a conclusão do inquérito.
O sepultamento de Júlia Vitória do Prado da Silva foi realizado neste domingo (12), no estado de Mato Grosso. A jovem, natural de Concórdia, ainda possui familiares na região.
Idoso que a vítima fez empréstimo e repassou para outro
Em depoimento ao delegado Franklin Pereira Alves da delegacia de Tapurah, o idoso afirmou ter feito um consignado e dado o dinheiro para Julia. A mulher teria enviado R$ 11 mil para a conta do ex-marido dela. Informações são de que Júlia e Alair mantinham um relacionamento há aproximadamente um ano. Ainda não foram divulgados detalhes sobre o que possa ter motivado o crime.
Durante seu depoimento, Alair tentou tirar a culpa do amigo. Ele disse que chamou o idoso para ajudar a levantar uma beg, mas que o colega não chegou a mexer no objeto e que era inocente.
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