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Mata-leão era método “comum” e clínica tinha convênios com prefeituras de MT; paciente morreu após possível surto

Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, que foi encontrado morto dentro de uma clínica terapêutica no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá.

02/06/2026 às 22h31
Por: Redação Fonte: RDNEWS
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Reprodução
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O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) pronunciou-se sobre o caso de Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, que foi encontrado morto dentro de uma clínica terapêutica no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá, no último domingo (31). Em nota, o CRM esclareceu que tomou conhecimento do fato e que, em buscas em seu banco de dados, não localizou a instituição onde o crime ocorreu como sendo vinculada à autarquia.

"Diante da situação, o CRM-MT informa que irá oficiar a Polícia Civil de Mato Grosso para obter dados complementares do espaço, como por exemplo o CNPJ, para aprofundar a análise do caso. Apenas após estes dados é que o Conselho poderá analisar o caso e quais providências poderão ser adotadas", escreveu a instituição.

O Conselho Regional de Medicina destacou, por fim, que qualquer paciente tem à disposição um sistema nacional de busca por estabelecimentos de saúde, disponível no site do CRM e recomendou a todos que utilizem este serviço.

A morte de Alessandro foi tratada primeiramente como um caso de suicídio. No entanto, durante a apuração dos fatos, foi descoberto que se tratava de um homicídio. Odiley Rodrigues de Souza, de 44 anos, foi detido em flagrante pelo crime.

DELEGADO FALA SOBRE O CASO

O golpe conhecido como “mata-leão” era um método de contenção considerado comum dentro da clínica terapêutica onde morreu Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, em Cuiabá. A informação foi revelada pelo delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Michael Paes, durante entrevista concedida na segunda-feira (1º).

Segundo o delegado, os relatos colhidos durante a investigação indicam que a técnica era utilizada com frequência para conter internos em “situação de surto”. O funcionário Odiley Rodrigues de Souza, de 44 anos, foi preso em flagrante por homicídio doloso e fraude processual. Segundo Paes, ele nega ter aplicado o golpe na vítima, embora tenha admitido ter forjado a cena para simular um suicídio.

“Durante as entrevistas, as pessoas que a gente ouviu também, ficou muito claro que o método utilizado por ele [Odiley] na clínica, é, essa contenção: ‘a primeira coisa que a gente faz é dar um mata-leão ali, pra desmaiar a pessoa”. Ficou claro, as pessoas que a gente conseguiu ouvir [disseram]: ‘não, é normal isso’, apesar que ele [Odiley] fala aqui, no interrogatório, que eles não são autorizados a fazer isso - com certeza eu sei que eles não são - mas que é feito é ”, afirmou Michael Paes.

“Eu não acredito que seja uma clínica clandestina, porque o próprio gerente me relatou que prefeituras do estado têm convênio lá (...). Eu não sei qual prefeitura, se é a daqui, se é a [cidade] vizinha, elas internam pessoas lá e pagam por isso. Então a gente presume que, se a prefeitura faz esse tipo de tratamento com uma clínica dessa, ela não é uma clínica clandestina, pelo menos do ponto de vista do papel”, disse o delegado.

Apesar disso, Michael Paes destacou que a realidade encontrada pela equipe policial no local levantou questionamentos sobre o funcionamento da unidade. Segundo ele, não foram identificados profissionais da área da saúde durante a operação. Além disso, a clínica terapêutica tinha um “quarto da punição”, onde os “pacientes que davam problema” ficavam trancados à noite.

“Não tinha ninguém da área da saúde. A gente não viu enfermeira, psicólogo, assistente social ou terapeuta. O preso [Odiley] era, segundo ele próprio e o gerente, um ex-interno que havia sido paciente e agora era responsável por mais de 50 pessoas na clínica”, relatou Paes.

A Polícia Civil informou que os órgãos responsáveis pela fiscalização serão acionados para verificar se a instituição operava de acordo com as normas técnicas exigidas para esse tipo de atendimento.

Ainda segundo o delegado, o inquérito segue em andamento e aguarda a conclusão dos laudos periciais, que deverão esclarecer a dinâmica da morte e eventual participação de outras pessoas no caso.

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