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Um pescador que preferiu não se identificar denunciou, segundo ele, os impactos provocados pela atuação de dragas e atividades de mineração no Rio Arinos. O relato ocorre às vésperas do início do período de defeso da piracema em Mato Grosso.
De acordo com o pescador, existe uma revolta entre moradores e pessoas que vivem da pesca diante da situação. Ele questiona o fato de a legislação restringir a atividade pesqueira durante o período de reprodução dos peixes, enquanto, na avaliação dele, a movimentação de equipamentos de mineração no leito do rio também poderia causar impactos ambientais.
“Não pode pescar no Rio Arinos agora, todo mundo respeita. Mas o garimpo está lá, mexendo no rio, tirando areia, revirando tudo e ninguém faz nada! Como o peixe vai subir pra desovar com o rio todo destruído?”, relatou o pescador.
Conforme informações oficiais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), o período de defeso nos rios e trechos de rios que percorrem o território mato-grossense será de 1º de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027.
A piracema corresponde ao período em que os peixes migratórios se deslocam em direção às cabeceiras dos rios para reprodução. Segundo a Sema, o fenômeno ocorre principalmente entre outubro e janeiro e é fundamental para a renovação dos estoques pesqueiros.
O Rio Arinos integra a bacia Amazônica e está entre os rios alcançados pelo período de defeso estabelecido para os cursos d'água que percorrem Mato Grosso.
No relato encaminhado ao Alvorada MT, o pescador afirma considerar contraditório que pescadores sejam obrigados a interromper suas atividades durante a piracema enquanto, segundo sua denúncia, equipamentos utilizados na mineração continuam operando no rio.
A preocupação apresentada por ele está relacionada principalmente à possibilidade de alterações no leito e nas condições da água prejudicarem o deslocamento dos peixes durante o período reprodutivo.
A Sema explica que a piracema ocorre justamente quando os peixes migratórios percorrem grandes distâncias, enfrentando obstáculos naturais, para alcançar regiões adequadas à desova. O órgão também destaca que a finalidade do período de defeso é permitir a renovação dos estoques pesqueiros.
O Alvorada MT registra que as informações sobre a suposta atuação irregular de dragas e os eventuais danos ambientais mencionados pelo pescador não foram confirmadas de forma independente pela reportagem.
A denúncia poderá ser encaminhada aos órgãos ambientais responsáveis para que seja verificada a existência de atividades de mineração, suas autorizações e eventuais impactos sobre o Rio Arinos.
A Sema disponibiliza canais para denúncias de crimes ambientais e pesca predatória. Entre eles estão o 0800 65 3838 e o 190, para acionamento do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental.
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