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Há exatamente 20 anos, em 29 de setembro de 2006, o céu do norte de Mato Grosso foi palco de uma das maiores tragédias da aviação brasileira. O voo 1907 da Gol, operado por um Boeing 737-800, colidiu em pleno voo com um jato executivo Embraer Legacy 600. As 154 pessoas que estavam no avião da Gol morreram.
O Boeing havia decolado de Manaus (AM) com destino ao Rio de Janeiro (RJ), com escala prevista em Brasília. O Legacy, por sua vez, realizava um voo de translado entre São José dos Campos (SP) e os Estados Unidos, com parada em Manaus.
A colisão aconteceu a aproximadamente 37 mil pés de altitude — cerca de 11 mil metros — enquanto as duas aeronaves estavam na mesma aerovia. O Boeing perdeu parte significativa da asa esquerda, ficou incontrolável e acabou se desintegrando durante a queda em uma área de mata fechada.
O Legacy também sofreu danos durante o choque, principalmente na asa e no estabilizador, mas conseguiu permanecer controlável e realizou um pouso de emergência na Base Aérea do Cachimbo, no Pará. Os sete ocupantes da aeronave sobreviveram.
Após a queda do Boeing, uma grande operação de busca e resgate foi mobilizada para localizar a aeronave e as vítimas. O acesso ao local, em uma região de floresta densa e de difícil deslocamento, tornou a operação especialmente complexa.
Os destroços ficaram espalhados pela mata, e equipes trabalharam durante dias para localizar e retirar as vítimas. A dimensão da operação e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais envolvidos fizeram do acidente um dos trabalhos de busca mais marcantes da história recente da aviação brasileira.
O acidente foi investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O relatório final analisou fatores relacionados às duas aeronaves, aos equipamentos, à atuação das tripulações e ao controle de tráfego aéreo.
Entre os pontos investigados estavam o funcionamento do transponder do Legacy, os equipamentos de comunicação e navegação, a preparação dos pilotos e os procedimentos adotados pelo controle de tráfego aéreo.
A tragédia provocou uma ampla discussão sobre procedimentos de segurança, controle de tráfego aéreo e investigação de acidentes no Brasil. Segundo análises publicadas neste aniversário de 20 anos, o caso também contribuiu para mudanças posteriores no sistema brasileiro de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos.
Vinte anos depois, o acidente continua presente na memória dos familiares das vítimas. Reportagens publicadas neste aniversário mostram que parentes ainda convivem com a saudade e que questões judiciais relacionadas à tragédia permanecem em discussão.
O acidente do voo 1907 permanece como um marco na história da aviação brasileira e também na memória de Mato Grosso. 154 vidas foram perdidas em poucos segundos, transformando uma viagem entre Manaus e o Rio de Janeiro em uma tragédia que, duas décadas depois, ainda é lembrada por familiares, profissionais da aviação e por todo o país.
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