#siteportalmtempauta

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pelo Palácio do Planalto entra em uma nova fase, marcada não apenas pela busca dos votos de candidatos que ficaram pelo caminho, mas também pela tentativa de mobilizar os milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33.361.091 eleitores não votaram no primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro. A abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o maior percentual registrado em um primeiro turno de eleição presidencial desde 1998.
O número chama ainda mais atenção quando comparado à diferença entre os dois candidatos. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. A diferença foi de cerca de 1,87 ponto percentual.
Eleitor que faltou pode voltar no segundo turno
Um ponto importante é que quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com o título eleitoral regularizado. Os dois turnos são considerados pleitos independentes pela Justiça Eleitoral.
Por isso, a mobilização dos ausentes passa a ser uma frente importante para as duas campanhas. A estratégia, porém, não significa que os 33 milhões de eleitores formem um grupo politicamente uniforme. Há diferentes motivos para a ausência, incluindo viagens, dificuldades de deslocamento, desinteresse e, no caso do voto facultativo, a própria opção de não comparecer.
As campanhas de Lula e Flávio já tratam a redução da abstenção como um dos elementos da disputa. Análises publicadas durante o período eleitoral apontaram que os dois grupos de campanha tinham preocupação com a mobilização dos eleitores, especialmente aqueles para quem o voto é facultativo.
Segundo turno também facilita a votação
Além da mobilização, existe uma diferença prática importante entre o primeiro e o segundo turno: o eleitor terá muito menos escolhas na urna.
No primeiro turno das eleições gerais, o eleitor precisou votar para deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. Já no segundo turno, quando houver disputa estadual, serão escolhidos somente presidente e governador. Nos estados em que o governador for definido no primeiro turno, haverá apenas o voto para presidente.
Isso torna a votação mais simples e rápida.
Em um estado sem segundo turno para governador, por exemplo, o eleitor terá uma única escolha na urna: presidente da República.
Já nos estados que terão disputa pelo governo estadual, serão duas escolhas: presidente e governador.
Essa diferença pode ser relevante para a mobilização. No primeiro turno, o eleitor precisou tomar decisões para seis cargos. Agora, no segundo turno presidencial, a escolha fica concentrada em uma única disputa nacional — e, onde houver segundo turno para governador, em duas disputas.
Uma eleição de dois candidatos
Outro fator é a própria natureza da disputa. No primeiro turno, o eleitor tinha várias opções para presidente. Agora, a escolha está concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Com isso, as campanhas precisam convencer tanto os eleitores que já participaram da votação quanto aqueles que ficaram em casa.
O desafio é transformar intenção em comparecimento. Afinal, os 33,36 milhões de ausentes representam um contingente muito superior à diferença de votos registrada entre os dois candidatos no primeiro turno. Matematicamente, portanto, a participação — ou a ausência — desse eleitorado pode ter impacto significativo sobre a composição dos votos válidos no segundo turno.
A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro. Na urna, dependendo do estado, o eleitor terá apenas uma ou duas escolhas, cenário bem diferente daquele enfrentado no primeiro turno.
A corrida, agora, passa pela capacidade de cada campanha de reconquistar eleitores, atrair parte dos votos dos candidatos derrotados e, principalmente, levar às urnas quem decidiu não votar na primeira etapa.
Mín. 25° Máx. 40°


