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Cláudio Castro (PL) renunciou nesta segunda-feira (23) ao cargo de governador do Rio de Janeiro, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia levar à cassação de seu mandato e à declaração de inelegibilidade. A carta de renúncia foi entregue na Alerj à noite desta segunda (23).
A cerimônia de encerramento do mandato foi realizada no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, no início da noite. Castro começou o evento enumerando feitos de seu governo e anunciando que está de saída.
A saída ocorre em meio à crise política provocada pelo processo na Justiça Eleitoral e abre caminho para a realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que escolherá um novo governador para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2026.
No evento de despedida, entretanto, Castro disse que sai "em busca de novos projetos". "Como todos sabem, saio para ser pré-candidato ao Senado".
"Eu saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovaçã, saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado. Mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus", disse ele.
Ao anunciar a saída, Castro enumerou o que classificou de feitos de seu governo na segurança pública, como ter realizado "a maior operação do mundo", em aparente referência a operação com 121 mortos no Complexo do Alemão no ano passado; viaturas blindadas e valorização dos policiais.
"Temos desafios? Temos, é claro. Nós não resolvemos tudo. Mas consegui ser, em 2022, alguém que saiu de um desconhecimento quase de 90% para uma das maiores votações, senão a maior, com quase 5 bilhões de votos e quase 60% dos votos válidos do Rio de Janeiro. Saio feliz", disse ele
"Eu tive um antecessor que não valorizou a cadeira de governador que desde o primeiro dia pensava em ser presidente vivi intensamente esses seis anos com orgulho de ser governador. Com a certeza que essa cadeira foi o ápice, foi o topo da minha carreira. Poder liderar o meu Estado pelos seis últimos anos foi o maior orgulho que eu pude ter na minha vida"
O evento de despedida no Palácio Guanabara foi o último movimento político dele na cadeira de governador. Seu sucessor será escolhido dentro de um mês, em uma eleição indireta, na qual os eleitores serão os 70 deputados da Alerj.
Até lá, o governador interino será o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro.
Cláudio Castro quer ser senador e, para isso, poderia renunciar até o dia 4 de abril. No entanto, a renúncia já foi oficializada nesta segunda, na véspera da retomada do julgamento que poderia cassar o mandato dele e torná-lo inelegível.
O Tribunal Superior Eleitoral já tem dois votos a zero para condená-lo por abuso de poder econômico e político no escândalo do Ceperj. Cinco ministros ainda faltam votar.
O RJ2 apurou que a saída às vésperas do julgamento no TSE é vista como um termômetro do pessimismo de aliados, que já não acreditam na absolvição na corte, em Brasília.
Se Castro renunciasse depois do julgamento, haveria um risco. Em caso de mandato cassado, o povo fluminense precisaria ser convocado para uma eleição extraordinária, direta.
Assim, Castro poderia perder a influência na definição do futuro comandante do estado. Aliados apostam que a saída antecipada de Cláudio Castro também pode ser usada como uma manobra pela defesa dele no TSE
O ex-governador pode alegar que não está mais no cargo e que, por isso, o julgamento para cassá-lo perderia o sentido.
No entanto, o Ministério Público Eleitoral também pede a inelegibilidade. Por isso, alguns especialistas consideram que a medida pode não ter efeito prático, a não ser protelar uma eventual condenação.
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