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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que não houve racionalidade na aplicação de tarifas por parte dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e disse que as críticas dos norte-americanos em relação ao Pix são "descabidas". As falas do chanceler ocorreram em declaração à imprensa nesta quinta-feira (16).
O tom usado pelo ministro em relação ao desmatamento citado pelos EUA foi o mesmo. Mauro Vieira usou a expressão "absurdas" e declarou que o Brasil diminuiu a área desmatada.
Além disso, o chefe do Itamaraty classificou as declarações de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, como "inaceitáveis" e "ofensivas". O chefe do Itamaraty ainda defendeu que as investigações para a imposição de tarifas são unilaterais e não possuem justificativa.
Segundo o documento, a tarifa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.
A sobretaxa é resultado da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.
Saiba o que será e não taxado.https://portalmtempauta.com.br/noticia/1163/eua-anunciam-tarifa-de-25-sobre-produtos-brasileiros-veja-itens-que-serao-afetados-ou-isentos
Justificativa do governo americano
O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
Segundo a autoridade, a ação de tarifar o país visa "eliminar as práticas desleais de comércio investigadas".
Quanto ao Pix, avaliam a ferramenta como um "campeão nacional" que "promove condições desleais de competição no comércio eletrônico".
Ao se referir a regimes tarifários preferenciais do Brasil a países como México e Índia, a autoridade afirmou que os EUA têm interesse de serem incluídos em acordos semelhantes para que os exportadores norte-americanos possam competir em pé de igualdade.
Sobre desmatamento, os EUA reconhecem que o país mobiliza uma legislação para combater atividade ilegal, mas reiterou que a investigação apurou que a aplicação legal tem falhado.
Ademais, sobre etanol, indicou que o Brasil fechou esse mercado para o país. A autoridade ressaltou que os EUA estão abertos a negociar: "a porta certamente está aberta. [...] Não é segredo o que queremos".
Flávio Bolsonaro culpa Lula
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), postou um vídeo em suas redes sociais nesta quinta-feira (16) em que volta a culpar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas novas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos e que devem entrar em vigor a partir da próxima quarta-feira (22).
Na postagem, o senador lê a publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que acusou Lula de "não negociar de boa-fé" e que o presidente "colocou o seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro e essas tarifas são o preço por isso".
Na sequência, Flávio diz que o mandatário do país "não tem mais condições de ser o presidente do Brasil", comparando o país a um "avião sem piloto".
"O Biden brasileiro tá ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para nossa nação. Quem olha para o Lula não enxerga futuro, enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança", completou.
Mais cedo, Flávio havia feito uma postagem escrita em que comentava a decisão americana e também criticava Lula, chamando-o de "Biden brasileiro", em referência ao ex-presidente americano criticado por Trump e seus aliados.
"O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação", declarou na postagem.
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